A NAVALHA SOBRE O ABISMO

Bestas:
Fornicam vorazmente em prol de sua insana perpetuação,
impulsionados pelo instinto do cio,
sem razão, sem amor, sem saber o porquê,
livres de preconceitos, inertes à moral, ignorando o mal.
Homens:
Quando amam, trabalham como alquimistas no ardor do atanor,
fazendo-se novamente Elohim, ansiando a morte da hidra,
no audacioso desafio de libertar Prometeus,
forjando em oração a sagrada serpente na frágua dos Cíclopes.
Bestas intelectuais:
Vivem com o eterno cio de seu eu lascivo,
que tal chacal carnicento, devora em luxúria a caraça de suas presas,
seres de igual alma imunda
e corpos que se insinuam com o veneno da sedução,
licor maldito que sacia os cães, tomados pela sede carnal,
corrosiva do amor, cimentada na imunda moral.
09/11/98
Escrito por FRATERAREZ às 09h51
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