
Caminho solitário,
em introspectiva reflexão,
como um condenado ao calvário,
rumo para um destino incerto,
desconhecendo o piso sob cada passo,
que a cada estoque como uma martelada,
estoura o cristalino frasco do silêncio,
que mais mórbida torna a atmosfera soturna.
Eis que surge uma estranha melodia,
de uma orquestra de martelos,
detonando um dueto
de alguém que me segue com meu caminhar incerto.
E me pergunto, quem estará a me acompanhar?
De sua origem cogito entre o traiçoeiro e o amigo,
o satânico e o divino, o cumprimento e o grito,
a indiferença ou a paranóia.
Então, que me importa neste som místico?
Diante do meu pânico este se dissipa,
e o espectro que me perseguia,
embrenha-se com um misterioso mergulho,
nesta atmosfera estéril,
após meu súbito paralisar.
E agora o som do nada me leva a conclusão,
de que caminhei com meu eu,
apenas na companhia da solidão.